fortalecimento local

Ação Família atua em parceria com escolas e apoia ampliação de diálogo com as famílias

Assim como acontece com professores e jovens, as famílias também são público do trabalho realizado pela Fundação Tide Setubal para o fortalecimento da atuação das escolas públicas da região. Desde 2011, o Programa Ação Família vem ampliando seu território de trabalho, somando aos grupos realizados no CDC Tide Setubal e no Galpão de Cultura e Cidadania famílias de alunos da rede pública. Além de atuar para a melhoria da qualidade de vida das famílias, com formação nos eixos saúde, habitabilidade, solidariedade vicinal, trabalho e renda, estar dentro da escola é um cenário rico para o desenvolvimento do eixo educação. De um lado, existe a oportunidade de ter a escola mais conectada ao seu público e à realidade de território de atuação; do outro, as famílias compreendem melhor o papel da escola e seus espaços de participação e como, conjuntamente, é possível apoiar o desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens. Vale destacar que adentrar o universo escolar de filhos, netos e sobrinhos sempre foi um desafio para as famílias do Programa, sinalizado no trabalho realizado no eixo educação.

Em 2014, 162 famílias foram atendidas em seis grupos, realizados nas EMEFs José Honório, CEU Três Pontes, Armando Cridey Righetti, Procedu, organização local, além do Galpão de Cultura e Cidadania e do CDC Tide Setubal, que reúne em seus grupos famílias de alunos da EMEF Almirante Pedro de Frontim e CEIs do Jardim Lapenna. O Programa tem como eixo principal as reuniões socioeducativas, que, de forma lúdica, por meio de filmes, jogos e diferentes atividades, trazem novas informações, percepções e formas de agir para a melhoria de sua qualidade de vida, tanto nas relações intrafamiliares como nos contextos da realidade local, acessando equipamentos públicos, reivindicando direitos e reconhecendo deveres.

O eixo educação foi realizado por meio de quatro módulos: Família e Escola I e II, Convivência Pais e Filhos, Desenvolvimento Infantil e Adolescência. Os encontros promoveram reflexões junto às famílias tanto no que se refere à educação escolar, destacando o papel da escola e da família e sua participação na vida escolar dos filhos, como também na relação em casa e no dia a dia, abordagem que perpassa a forma como os pais resolvem os conflitos com os filhos, procurando favorecer soluções não violentas.

Pensar a vida escolar traz à tona a preocupação e a dificuldade de manter uma boa formação escolar para os filhos, e aparecem reclamações sobre desmotivação de professores na escola. As famílias gostariam de mais atividades fora da sala de aula, mais voltadas para o interesse das crianças. Citaram, também, que seria importante uma gestão mais aberta, com mais espaço para alunos e famílias. Foram discutidos os instrumentos que podem favorecer a participação das famílias no universo escolar, mas ficou como lição de casa para o Programa, em 2015, criar formas de articular melhor essas demandas para dentro de um projeto da escola.

No eixo trabalho e renda, a educação também aparece como elemento importante para a melhoria da qualidade de vida, com o incentivo do Programa à volta de seus participantes à escola, já que 46% não concluíram os estudos (Ensino Fundamental e Médio). Esse retorno pode contribuir para a inserção no mercado. Também entram em debate as escolhas e os desejos sobre a atuação profissional. Outra diretriz desses encontros está focada no acesso aos benefícios sociais, com informações e referências importantes sobre os programas de transferência de renda, processo apoiado pelo Centro de Referência da Assistência Social (Cras).

Os eixos saúde e habitabilidade caminham lado a lado. No encontro Saúde e Moradia, representantes da Defesa Civil deram diferentes orientações relativas a enchentes, umidade, riscos com infraestrutura, que, além de trazerem riscos de acidente, podem provocar uma série de doenças. Ainda na perspectiva de informação e saúde, a reunião socioeducativa com o tema Saúde Não Tem Idade procurou informar os participantes da importância da prevenção e também do acompanhamento de doenças relacionadas à saúde da mulher. Nesse debate, apareceram dificuldades de ordem prática, como problemas com os serviços de saúde, e subjetivas, como o medo de adoecer, a cultura de cuidar da doença e não da saúde e a vergonha. A parceria com a Odontoprev, que oferece convênio odontológico, apoia o cuidado e a prevenção. Em 2014, foram realizados 518 tratamentos em crianças e jovens.

Ainda no caminho da prevenção e de novos hábitos, algumas ações foram realizadas para estimular a escolha pela alimentação saudável. O Centro de Recuperação e Educação Nutricional (Cren) apresentou uma série de orientações sobre os tipos de alimentos, a preparação das refeições e como mudar hábitos e educar os filhos para comer de uma forma saudável. O Núcleo Qualidade de Vida promoveu encontros com as participantes para a prática culinária, buscando sensibilizá-las para o prazer de cozinhar, experimentando diferentes temperos e ingredientes mais saudáveis.

A participação social, temática trabalhada no eixo solidariedade vicinal, procurou explorar com as famílias sua relação com o bairro onde moram, estimulando a mobilização comunitária e a participação em espaços coletivos. O Fórum de Moradores do Jardim Lapenna (leia mais aqui) é um dos exemplos desse tipo de iniciativa.

A violência é um tema trabalhado em outras linhas de atuação da Fundação e também está presente nas reuniões socioeducativas de forma transversal. O Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid), do Ministério Público, apresentou diferentes informações sobre violência doméstica e familiar contra mulheres, difundindo a Lei Maria da Penha e sua aplicação.

O Programa Ação Família também atuou no calendário escolar com participações no dia da família. A proposta na EMEF Almirante Pedro de Frontim incluiu degustação de novos sabores de frutas, verduras e legumes para ampliar a experiência com alimentação saudável. O tema foi também apresentado em programas de rádio produzidos pelos alunos do Rede Jovem Comunica. A infância foi debatida após uma sessão de cinema realizada pelo Ação Família, em parceria com o Arteculturação, outro núcleo da Fundação. Já na EE Pedro Moreira, localizada próximo ao Galpão de Cultura e Cidadania, o Ação Família e o Núcleo Qualidade de Vida promoveram uma experiência de contato com a natureza: a mesa dos sentidos, com diversas sementes, folhas e outros recursos da natureza. Cerca de 40 pessoas participaram da ação. No segundo encontro, o tema foi o cuidar de si e da natureza, com oficina de maquiagem, aquecimento corporal e montagem de vaso, que reuniu 56 pessoas.

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“A contribuição do Programa é positiva, uma vez que começa a atender as famílias e dialogar, além de trazer a ideia de pensar a sua estrutura e de qual tipo de amparo elas precisam. A mudança é muita visível com famílias que passaram a frequentar mais a escola e até a participar de conselhos e outras atividades. Gostaria de ter acesso à metodologia, pois acredito que facilitaria o nosso trabalho.”

Vera Lúcia de Oliveira, diretora do CEU Três Pontes

“Houve mudança no modo como essas famílias percebem a escola. Geralmente, são pessoas muito carentes, de diversas formas, sendo muito difícil para a escola estabelecer um diálogo. O Ação Família contribuiu para melhorar essa relação. Os encontros deram voz às pessoas atendidas, que geralmente não têm a mesma recepção em outros serviços públicos”

JOSÉ NILTON DA SILVA LOPES, EMEF ARMANDO CRIDEY RIGHETTI